blogsteiras

2 de julho de 2005


Nos tempos de "ralação" eu tinha uns 50 a 60 funcionários subordinados a mim, em SP, cerca de 350 em Manaus, 2 no México, 1 em NY, 1 em Tókio e mais 1 em Taiwan...
Com alguns o contato era diario, constante, já com outros passava até semanas sem saber notícias deles, esperando que estivessem fazendo o combinado e, de preferência, da forma correta.
Vez ou outra um pisava na bola... Muitas vezes pela ânsia de fazer o certo, fazer melhor, fazer mais rápido... Outras vezes displicência mesmo. Raramente ignorância, pois eram funcionários que chegaram aonde estavam por terem mostrado capacidade, competência. Ninguem na equipe "aterrizou" de para-quedas, ninguem chegou por indicação de quem quer que fosse.
Todos não só foram avaliados quando tentaram o emprego, mas eram avaliados praticamente todos os dias, atráves do seu desempenho, dos resultados, das posturas perante seus iguais, seus subordinados e seus superiores.

Mas aconteciam pisadas de bola sim...
E quando acontecia vinha telefonema, CIs, mails, berros ou gritos: "PAG!!!!!!! Quéquéisso??????"
Ninguém questionava o carinha que "escorregou".. "PAG!!!! Que merda é essa??????"
E nunca passou pela cabeça do PAG (ou seja, eu) responder coisas do tipo:
"Eu?? Não to sabendo de nada!!!"
"Eu?? Pô, fala com o Zé, que ele quem pisou!"
"Calma! Não tenho nada a ver com isso, foi o Chico!"

Era correr atrás, levantar o problema e entrar com a solução. O papo com quem pisou acontecia depois... Só nós dois, sem testemunhas, sem registros.. Coisa de olho no olho. Com serenidade, objetividade e procurando sempre, ver todos os lados da questão e ser, acima de tudo, justo.
Nunca tive de punir ninguem.. Quando o papo acabava, se alguem era realmente responsável único pelo problema, ele se punia, ele próprio definia seus rumos para não mais cometer o erro.

Demitir por causa de um erro? Nunca aconteceu. Estaria tirando um que errou e aprendeu a não repetir o erro, pra colocar outro que corria o risco de cometer o mesmo erro de novo?

Porque digo tudo isso? Por que eu era uma peça da engrenagem de uma empresa entre milhares existentes no país. Não importa se próximo a alta administração ou não. Era só o responsável por uma equipe, por uma divisão da empresa e tinha que prestar contas, não só do desempenho dessa divisão, mas me responsabilizar por todos e cada um que fazia parte dela.
Para quem estudou um pouquinho que seja de Administração, sabe que se delega trabalho, se delega funções, mas jamais se delega responsabilidade. Ela é do "dono" do pedaço, ela é intrínseca àquele que ganha para ostentar o título de chefe, gerente, diretor, etc.

Aí fico pensando: era uma empresa, tipo porte médio. E quem dirige o país? Qual o tamanho de sua responsabilidade? Quem é presidente de "uma empresa estatal chamada Brasil" pode alegar ignorância das ações daqueles que foram indicados por ele? Pode fazer discursos se isentando de responsabilidade? Pode buscar "bodes expiatórios" como se fossem autônomos em suas ações, nessa hora não representando o governo, a administração maior?

NÃO!!! Não é por aí.... É responsável sim por todas as coisas que ele ou seus subordinados fazem. Não tem desculpa, não tem justificativas. Ninguem assume cargos de comando impunemente, ao acaso... Ou se tem competência pra chegar lá ou trata de ficar de fora, circunscrito ao limite de sua capacidade, de seu talento...

Se assumiu, não é pra ficar no deslumbramento, pra fazer poses e distribuir sorrisos. Não é pra fazer discursos cheios de palavras e vazios de conteúdo. É para se responsabilizar pelos seus próprios atos e por aqueles em quem confiou. Se existem um ônus na liderança é justamente esse.
Ao longo dos anos administrando pessoas aprendi (às vezes às duras penas) que é fácil assumir os próprios erros. Dificil é assumir erro alheio e tomar para si a responsabilidade que sua posição exige....

Ser Presidente, pessoal da estrelinha ridícula, é muito fácil... Dirigir um país, é pra gente competente!


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