blogsteiras

26 de abril de 2006


Coisa boa que é viver, né? Uma vida que oscila do pachorrento passar das horas à frenética falta de tempo. Do céu azul de brigadeiro onde voamos suave e rapidamente ao turbulento céu de nuvens carregadas.

Enfim, viver é isso: variedade, novidade, surpresa; tudo entremeado de rotina, planejamento e até obviedade.

Não percebemos isso facilmente, é necessário anos e anos para que possamos ter um retrospecto, algo para olhar para trás, analisar erros e acertos, certezas e arrependimentos. Não para se lamentar ou ficar sonhando saudosamente, mas para aperfeiçoar, para ter um presente mais equilibrado, um futuro de rumo mais preciso.

Alguns afortunados, talvez como eu, podem se dar ao luxo de ter memória ruim ou pelo menos seletiva e assim lembrar as coisas boas deixando as ruins num segundo plano ou mesmo engavetadas em algum lugar remoto da memória.

Eu armazeno alegrias, boas surpresas, os fatos marcantes e emocionantes da minha vida, estes sim inesquecíveis e cada vez que rememoro volto a me emocionar.

A vida não deixou de me dar algumas pancadas, não deixou de cobrir meu horizonte com nuvens pesadas e ameaçadoras. Mas, acredito, para que eu sempre pudesse valorizar o que ela me deu de bom.

Ao participar agora do casamento da filhota, fechando um ciclo na minha vida, sinto o prazer e o orgulho de ver os filhos seguindo seus rumos. Fizeram suas escolhas! Se mostram felizes e apaixonados com os parceiros que escolheram para viver.

E nessa escolha, trouxeram para nós, não nora e genro, mas dois novos filhos dos quais passamos a nos orgulhar tanto quanto nos orgulhamos sempre deles.

Como eu, enfrentarão dias mais complicados, momentos mais difíceis, fases onde parece que o mundo conspira contra seus anseios. Mas, estou seguro, como eu, saberão enfrentar as ondas mais tenebrosas e suplantarão esses momentos, tornando-se mais fortes e seguros de seus objetivos.

Ao contrário do pobre cão de rua que sozinho se esconde num canto para lamber suas feridas de batalha, nós, que tivemos a sorte e felicidade de escolher bem nossos e nossas cúmplices, sempre teremos um colo para nos proteger. E por isso, sempre teremos um colo para dar.

Paixão, deliciosamente abrasadora, se esvai com o tempo. Mas intensa como é, pavimenta o caminho para a cumplicidade, para o amor, este sim, para toda a vida.

Que mais um pai pode desejar aos filhos senão que vivam intensamente ao lado de quem escolheram como o amor de suas vidas?



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